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:: A Luta em Tatuí :: |
São Paulo, 30/12/1921: O Governo do Estado de São Paulo, Sr. Washington Luís, através da Lei Estadual nº 1860, criou uma escola profissional em Tatuí que não chegou a ser instalada e essa Lei tornou-se letra morta.
Brasil, 1930: na Presidência da República, Getúlio Vargas e o contexto brasileiro passam para um novo plano.
Em Tatuí, o jornalista Oscar Augusto Silveira da Motta publica artigo no "Jornal de Tatuhy", de 30/11/1930, tecendo comentários sobre a necessidade, para esta cidade, de uma Escola Profissional de Artes e Ofícios. Para isso, chama a atenção das autoridades, argumentando sobre a existência da Lei Estadual nº 1860 de 30/12/1921, cujos efeitos, paradoxalmente, ficaram tão somente nos papéis.
Assim se manifestou esses inolvidáveis batalhados pelas causas de Tatuí:
"Segundo relatam os grandes órgãos jornalísticos de São Paulo, é tendência do atual governo revolucionário, conforme consta do seu programa elaborado, dentre outras medidas e novos rumos a seguir no terreno educacional, o incentivo ao estudo prático, por meio das escolas profissionais. Facilitando à mocidade menos favorecida de recursos, uma profissão esmerada e de acordo com o seu temperamento e vocação, o Estado favorece o aperfeiçoamento da máquina social, constituindo-a de melhores fatores produtivos, capazes de iniciativas próprias e, por conseguinte, mais aptos e intelectualizados. É necessário também estudar para trabalhar. Muitos hão de achar um absurdo isto. Pois é um grande erro. Toda e qualquer profissão, por mais obscura e modesta que seja, tem outro valor moral e material quando baseada no senso estético, que provém dos conhecimentos específicos. As escolas profissionais modernas têm essa capacidade. Elas ensinam aos alunos a arte de bem trabalhar. Não apenas no meio, o processo de se conseguir o fim, dispondo como dispõe de maquinários para quaisquer minudências, de ferramentas as mais aperfeiçoadas, mas também, que particulariza e realça a obra acabada. Geralmente, os nossos profissionais, isto é, os mecânicos, marceneiros, carpinteiros, ferreiros, alfaiates, pedreiros, etc., obtêm suas profissões à custa de muito esforço e sacrifício, não conseguindo, na maioria das vezes, sair da craveira comum. Não podem, portanto, usufruir de uma remuneração significativa. É preciso que se diga a verdade: a classe referida não tem tido apoio que ela carece. Elas nunca poderão, por conta própria, granjear o grau de aparelhamento indispensável para se tornar "um elemento de produção, um fator econômico", para o próprio Estado.
Às escolas-oficinas compete suprimir essas falhas tecnológicas que se dizem exclusivamente práticas. O trabalho executado pelo artista que estudou é mais valorizado porque, naturalmente, é mais aperfeiçoado.
Daí resulta o valor prático, Econômico e artístico das escolas profissionais..."
Depois desse manifesto histórico, muitos se reuniram em torno da idéia básica: criar, a curto prazo, uma Escola Profissional em Tatuí. E aqueles que antes lutavam por uma Escola Profissional na cidade, nesse momento passaram a desejar e a lutar por um ginásio. Empenharam-se durante a Semana Pró-Ginásio e em outras campanhas. Após muitas lutas, o 4º ginásio do Estado foi criado: surgia o ginásio "Barão de Suruí".
Algum tempo depois, essas mesmas pessoas que sonharam, trabalharam e apressaram a vinda dessa escola propedêutica começaram a trabalhar, novamente, por uma escola do trabalho: a Escola Profissional, destinada a garantir a formação de artífices.
Em 17/09/1933, o Prefeito Municipal, Interventor Joaquim Assunção Ribeiro, que já havia atuado bastante na luta para a vinda do Ginásio, dirige novo pedido à Secretaria da Educação; agora, para a Escola Profissional, oferecendo inclusive prédio próprio. Não recebeu resposta diretamente; porém, alguns dias depois, semelhante assunto foi tratado em âmbito federal: o Ministro da Educação dirigiu Aviso Circular aos interventores nos Estados, submetendo à apreciação dos mesmos a idéia de multiplicação do número de escolas de aprendizes-artífices, no intuito de difundir o ensino profissional e técnico com o mínimo de encargos ao governo Federal quanto à sua implementação. Entendia que somente assim seria possível atender todos os Estados e Municípios que tivessem condições de contribuir com propostas que complementassem e tornassem viável esse programa.
Alguns dias depois, em 22/09/1933, o Jornal "O Estado de São Paulo" publicou:
"Como a solução do problema - instalação de escolas de aprendizes-artífices nos municípios de mais densa população - interessa diretamente aos próprios municípios onde elas forem instaladas e assim, aos Estados que com maior número delas contarem, os governos municipais ou aquelas interventorias, como melhor convier aos interesses locais, doarão à União os prédios para as Escolas que desejarem ser instaladas, cabendo a este Ministério a instalação e manutenção delas. Esse assunto parece ser de tal relevância aos interesses do Estado, que supõem possível a doação, não só do prédio, como em alguns casos também, das instalações, cabendo então a este Ministério apenas a manutenção".
Em 05/11/1933, o "Progresso de Tatuhy" (nº 540) trouxe a público o seguinte artigo:
"ESCOLA PROFISSIONAL: De há muito era nosso desejo tratar do assunto referente à instalação nesta cidade da Escola Profissional criada pela Lei nº 1860, de 30/12/1921, há quase 12 anos! Como está no domínio público, cogita-se de uma escola que seja absolutamente similar à da vizinha e amiga cidade de Sorocaba. Podemos ainda citar, como exemplo, as escolas de Ribeirão Preto, Amaparo e outras mais. Nenhuma lei posterior à de 1860 a revogou e nem decreto algum a tal se referiu. Portanto, subsiste a que criou a Escola Profissional Masculina de Tatuí. Entretanto, como o ensino profissional técnico deve aproveitar a ambos os sexos, a escola pode ser convertida em mista, o que será de grande alcance. A Prefeitura desta cidade já se fez representar aos Exmo. Governo do Estado sobre o assunto. Estamos certos e plenamente convencidos de que, no ano de 1934, raiarão para Tatuí acalentadoras e fagueiras esperanças. Somos pelo ensino profissional e o nosso meio, sob todos os aspectos, está apto para receber tão útil melhoramento.
O Governo de São Paulo, nascido da vontade quase unânime de seu povo, na brilhante jornada de 3 de Maio, não será indiferente aos rogos desses mesmo povo. de que Tatuhy representa uma grande parcela. São Paulo unido trabalhou para a restauração do império da Lei, e esta tem sido respeitada pelos seus dirigentes. Assim, nos animamos a traçar estas linhas, pedindo e esperando que o Exmo. Sr. Interventor do nosso Estado e o seu ilustrado Secretário da Educação e da Saúde Pública nos concedam a grande mercê de dar cumprimento à Lei nº 1860 de 30/12/1921. A passagem do projeto pela Câmara dos Deputados e Senado, segundo nos dizem os anuais daquela época, não foi por espírito de política e sim pelos conhecimentos que dignos representantes do Estado tiveram de que indiscutivelmente Tatuhy possui todos os requisitos para a existência e progresso da escola almejada. Encoraja-nos vir à presença do governo solicitar o cumprimento dessa lei, primeiro porque Tatuhy, de fato, é um centro que corresponde à expectativa, demais porque no momento o próprio Governo Federal está grandemente empenhado na difusão do ensino de tal natureza."
A oferta inicial de doação do terreno e prédio para a instalação da Escola Profissional já havia sido feita pelo ex-prefeito Joaquim Assunção Ribeiro e ratificada pelo seu sucessor, Sr. João Gândara Mendes; porém, o assunto só voltou à tona em abril de 1934, quando a Bandeira Paulista de Alfabetização se propôs a fazer uma intensa propaganda em todo o Estado em prol da instalação dessas escolas profissionais e conseguiu a colaboração das prefeituras municipais e das empresas particulares, industriais e agrícolas.
Em 15 de abril de 1934, a população já sabia que dentro de poucos dias o Sr. Prefeito Municipal, João Gândara Mendes, baixaria um Ato criando em nossa cidade uma Escola Profissional Mista
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