A Luta Pela Criação das Escolas Profissionais
No início do século passado, o ensino restringia-se ao atendimento das chamadas "elites". Porém, agigantava-se a idéia de se criarem escolas que se preocupassem, também, em ensinar uma profissão, formando cidadãos úteis à comunidade. especialmente por suas ocupações. Em 23/09/1909, Nilo Peçanha, então Presidente da República, baixou o decreto nº 7.566, instituindo a criação de EScolas de Aprendizes Artífices em todas as Unidades Federais, instituindo , assim, a rede federal de ensino profissional. No entanto, as diretrizes para essas escolas ainda eram por demais incipientes. Em 1910, um jovem professor de Santos - Aprígio Gonzaga - escreveu os primeiros artigos sobre essa nova proposta educacional. Enquanto isso, outro jovem professor - João Lourenço Rodrigues - foi aos Estados Unidos e à Europa para conhecer as escolas profissionais lá existentes, trazendo consigo um minucioso relatório. Nesse mesmo ano, os Professores Aprígio Gonzaga e Miguel Carneiro Júnior, ambos do Grupo Escolar "Cesário Bastos", foram chamados a São Paulo e convidados a fazer uma viagem de estudos à Argentina, a fim de conhecer suas escolas profissionais. Posteriormente apresentaram um relatório ao Dr. Carlos Augusto Guimarães, então Secretário do Interior. Esse relatório foi reproduzido em 5.000 exemplares e distrbuído por todo o país, valendo-lhes a incumbência de organizar e montar as quatro primeiras escolas profissionais, criadas pelo Decreto 2.118-B, de 28/09/1911, sendo duas em São Paulo (masculina e feminina - Instituto Profissional Masculino de São Paulo e Instituto Profissional Feminino de São Paulo) atuais Escolas Técnicas Estaduais "Getúlio Vargas" e "Carlos de Campos", e as outras duas, em Amparo e em Jacareí respectivamente. No entanto, inicialmente, essas escolas funcionaram isoladas e autonomamente, sem assistência técnico-pedagógica e com número reduzido de matrículas não esmoreceram. Trabalharam intensamente no sentido de divulgar a importância e o objetivo das escolas profissionais, de sorte que as suas comunidades compreendessem o futuro promissor daqueles que soubessem usar ferramentas. Dois anos depois, o número de matrículas havia aumentado consideravelmente. Embora a Escola de Jacareí tenha tido uma duração efêmera, as demais contribuíram para que, aos poucos, outras fossem sendo criadas em cidades do interior, tais como Rio Claso (1.920) e Franca (1.924).
Em 1931, o Governo Paulista, preocupado com essas escolas profissionais, assinou Decretos ampliando seus cursos e criando estrutura para atendê-las de forma mais específica. Além disso, tendo em vista que os alunos pertenciam à faixa mais carente da sociedade e ficavam na escola em período integral, o então Secretário do Interior, Dr. Altino Arantes, instituiu, a título de experiência, a sopa escolar. Enquanto isso, os professores Aprígio Gonzaga e Miguel Carneiro Júnior, que respondiam pela direção das Escolas da Capital, Masculina e Feminina, respectivamente, preocupados com o aprimoramento do ensino profissional, fundaram a biblioteca intinerante e construíram quadras esportivas nesses dois estabelecimentos